Pular para o conteúdo principal

Mantenha sua mente centrada e em equilíbrio

Você já se percebeu com a mente agitada, como se estivesse num turbilhão de pensamentos constantes? É como se estivesse em um trem que passa por um milhão de estações, revivendo o passado, antecipando o futuro ou preocupando-se com tudo o que poderia dar errado. Para aqueles que lidam com ansiedade ou trauma, é como se nos encontrássemos correndo atrás desse trem, em vez de permanecermos firmes na estação, conscientes do momento presente. Nesses momentos, dormir se torna difícil, manter o foco parece inatingível e a interação com outras pessoas se torna desafiadora. A técnica a seguir foi desenvolvida para ajudá-lo a acalmar-se e a realinhar seu corpo e mente com o momento presente. Ela pode ser usada sempre que perceber que sua mente está vagando ou quando estiver prestes a entrar em um estado de ansiedade ou pânico. Este exercício é um trecho do Kit de Ferramentas de 2018 da Mental Health América. Aqui está uma versão bem simples da atividade proposta: Desembarque do Trem Antes de co...

Comorbidades: Mais de um problema ao mesmo tempo

https://vivacomtdah.blogspot.com/
A existência de comorbidades é um dos grandes enigmas e maiores incômodos do TDAH. Outras queixas como ansiedade, depressão, stress crônico, baixa autoestima, variações fortes de humor somam-se às queixas mais tradicionais e conhecidas, complicando ainda mais a distração, hiperatividade, impulsividade e também os esquecimentos, desorganização, pouca percepção da passagem do tempo, entre outros. Serão problemas separados ou causas-consequências múltiplas?

Por que as Comorbidades são tão comuns?

De acordo com teorias recentes de alguns dos maiores especialistas da área, certas alterações na estrutura e desenvolvimento cerebral ligadas ao TDAH seriam fatores de risco para problemas posteriores. Ou seja, aquilo que inicialmente leva aos sintomas do TDAH – distração, agitação, hiperatividade, impulsividade – também representam fragilidades, que facilitariam a ocorrência de outros transtornos.

Especialmente em adultos, a comorbidade (ocorrência simultânea) de mais de um transtorno acompanhando o TDAH é mais regra que exceção. 

As comorbidades mais comuns no TDAH são: Ansiedade, depressão, stress crônico – Síndrome de Burnout e problemas de aprendizagem. Aparecem também disfunções de origem comportamental, como baixa autoestima, auto sabotagem, perfeccionismo, entre outras.


Problemas independentes ou inter-relacionados?

Com toda a certeza, quando dois transtornos são identificados, os pacientes irão questionar “quem causou o quê”. Esta é sempre uma pergunta interessante e necessária. Porém, a resposta pode ser bastante complexa – e às vezes, infelizmente impossível de responder.

Profissionalmente, eu costumo trabalhar orientando um raciocínio voltado para o futuro e para a resolução de problemas. Pois entendo que qualquer transtorno traz consequências – este é o começo da resposta para “quem causou o quê”. Estes primeiros problemas e dificuldades, por sua vez, interferem com o desenvolvimento e adaptação às novas exigências.


A potencialização das dificuldades

Primeiramente, existem fatores que prejudicam o desenvolvimento, a adaptação às circunstância extremamente mutáveis dos primeiros anos de vida. Dessa forma, tais prejuízos incipientes podem facilitar o aparecimento de outros problemas que, na ausência da dificuldade inicial, provavelmente não teriam ocorrido.

Contudo, a partir de certo ponto – e é aqui onde devemos focar os esforços analíticos – as fragilidades entram em um círculo vicioso de retroalimentação, de tal maneira que um déficit torna o outro ainda mais intenso.

Um exemplo bastante simples é o de uma criança, que apresente em comorbidade um transtorno de atenção e/ou hiperatividade, em conjunto com uma dificuldade de aprendizagem – por exemplo, envolvendo leitura. Qualquer criança com problemas com leitura terá maior dificuldade em prestar atenção, por tratar-se de uma habilidade acima de suas capacidades atuais. E, se ainda assim houver um transtorno de atenção, este será mais um fator que prejudicará a superação da dificuldade de leitura. 


Diagnósticos mais aprofundados

Em casos como este, é indispensável proceder a um diagnóstico diferencial de excelência. O processo é usualmente mais demorado, exigindo a realização de instrumentos específicos de psicodiagnóstico. Por exemplo, podem ser solicitados testes psicológicos. Sua função é auxiliar na identificação da eventual presença e intensidade de outros transtornos envolvidos. Tal detalhamento, em casos complexos, é necessário possibilitar a criação de um plano de tratamento eficaz. Que seja integrativo e multidimensional, contemplando todas as demandas encontradas.

A não identificação de comorbidades está entre os principais fatores que levam a tratamentos com resultados insatisfatórios – ou até mesmo sem resultados. 


Por Cacilda Amorim

©Copyright IPDA - Instituto Paulista de Déficit de Atenção

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como controlar a raiva e a irritação: estratégias para lidar com o TDAH.

Você já se pegou criticando as pessoas sem controle? A sensação de nervosismo, irritação e ações impulsivas podem ser sinais de que algo está fora de equilíbrio. Às vezes, parece que estamos brigando com o mundo inteiro por coisas que, normalmente, nem nos incomodariam. Se você se identifica com essas situações, é hora de explorar maneiras de lidar com a raiva e a irritação, especialmente se você vive com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Dê um Passo para Trás Quando a raiva e a irritação se aproximam, é fundamental dar um passo para trás. Às vezes, uma simples pausa pode evitar reações impulsivas que podem resultar em arrependimento posterior. Técnicas como sair da sala, interromper uma conversa ou até mesmo respirar profundamente podem ajudar a acalmar os ânimos. Dar um tempo para processar os sentimentos pode fazer uma grande diferença. Além disso, existem métodos para "dar um passo para trás" mentalmente. Práticas como respiração profunda e contagem ...

Pesquisadores encontram novo fator para distração geral, que pode impactar no TDAH

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Michigan encontraram um novo fator para a tendência de distração geral de uma pessoa, que pode estar associado ao  TDAH  (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). Os achados foram publicados no científico PLOS ONE. Neste estudo, os pesquisadores pediram que os voluntários preenchessem uma série de questionários para entender os diferentes tipos de distrações e quais poderiam ser suas relações com o TDAH.  A pesquisa contou com 1.220 participantes e analisou diferentes tipos de distrações.  Em estudos anteriores, foram explorados fatores de distração como estímulos externos, pensamentos negativos repetitivos ou devaneios, sugerindo que a tendência a tipos diferentes de distração poderiam ser captados matematicamente por um “fator de distração” abrangente. Porém, essas pesquisas não consideraram uma série de outros fatores de distração, incluindo alguns associados ao TDAH.  Os quest...

Sintomas em Crianças e Adolescentes com TDAH: Uma Visão Baseada em Pesquisas

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é frequentemente observado em crianças, com destaque para a agitação e inquietação, especialmente em meninos. Este comportamento é muitas vezes rotulado como "bicho carpinteiro" ou algo semelhante. Na fase pré-escolar, essas crianças exibem agitação, movendo-se incessantemente pelo ambiente, mexendo em vários objetos como se estivessem impulsionadas por um motor. Há movimentos constantes de pés e mãos, dificuldade em permanecer sentadas na cadeira, fala excessiva e constante desejo de sair da sala ou da mesa de jantar. Pesquisadores como Russell A. Barkley, renomado psicólogo clínico, têm estudado esses comportamentos em crianças com TDAH. Barkley destaca a dificuldade dessas crianças em manter a atenção em atividades longas, repetitivas ou desinteressantes. Além disso, eles são facilmente distraídos por estímulos externos e internos, indicando uma tendência a "voar" em pensamentos. Durante avaliações, err...