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Mantenha sua mente centrada e em equilíbrio

Você já se percebeu com a mente agitada, como se estivesse num turbilhão de pensamentos constantes? É como se estivesse em um trem que passa por um milhão de estações, revivendo o passado, antecipando o futuro ou preocupando-se com tudo o que poderia dar errado. Para aqueles que lidam com ansiedade ou trauma, é como se nos encontrássemos correndo atrás desse trem, em vez de permanecermos firmes na estação, conscientes do momento presente. Nesses momentos, dormir se torna difícil, manter o foco parece inatingível e a interação com outras pessoas se torna desafiadora. A técnica a seguir foi desenvolvida para ajudá-lo a acalmar-se e a realinhar seu corpo e mente com o momento presente. Ela pode ser usada sempre que perceber que sua mente está vagando ou quando estiver prestes a entrar em um estado de ansiedade ou pânico. Este exercício é um trecho do Kit de Ferramentas de 2018 da Mental Health América. Aqui está uma versão bem simples da atividade proposta: Desembarque do Trem Antes de co...

Quem tem TDAH consegue se concentrar?

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Sim! É incorreto dizer que o TDAH impede a pessoa de prestar atenção ou concentrar. Algumas pessoas com TDAH podem se concentrar muito além do que é comum (apresentar ótima atenção seletiva e sustentada), porém apenas diante de alguns tipos de estímulo ou situação – isto é chamado de hiperfoco

O que complica a vida das pessoas com Déficit de Atenção é que apenas alguns poucos estímulos e circunstâncias serem capazes de capturar o foco da atenção. Isto que torna a atenção tão instável e o hiperfoco tão intenso, quando acontece.

Em outros casos, as maiores dificuldades podem estar na atenção flexível, que dificulta retomar o foco após interrupções. Todos estamos sujeitos a interrupções e distrações. Não dá para imaginar viver sem elas, especialmente nos tempos atuais, de tamanha sobrecarga de informações e tecnologias que invadiram a vida e os espaços privados. Por isto o retorno à atividade, a retomada do foco após a distração é tão essencial.

Como funciona a atenção

A capacidade de prestar atenção / concentração depende diretamente do funcionamento adequado e integrado de diversas áreas cerebrais. O cérebro está constantemente sujeito a um bombardeio de informações. Tais informações são provenientes tanto dos órgãos sensoriais (as origens mais conhecidas) quanto de sistemas internos de regulação orgânica (como sistemas de controle da postura corporal ou funcionamento metabólico).

Falha na filtragem do que é relevante

De fato sabemos que a quantidade de informação que o cérebro recebe é muito superior à sua capacidade de lidar com ela – de processá-la. Alguns especialistas estimam que o cérebro receba cerca de 40 bilhões de bits de informação por segundo. Por outro lado, sua capacidade de processamento é limitada, de cerca de 2 bilhões. Assim, é fácil concluir pela necessidade de filtrar ou bloquear boa parte destas informações.

Prestar atenção, essencialmente, significa inibir distrações, de forma flexível e de acordo com as necessidades de cada instante. No TDAH, estas capacidades estão prejudicadas. 

Os QUATRO tipos de ATENÇÃO

1) ATENÇÃO SELETIVA

É diretamente relacionada à inibição de distrações. Representa a capacidade de focar em algum estímulo, ao mesmo tempo permanecendo insensível a outros. Ou seja, concentrando-se em algum aspecto e, ao mesmo tempo, distraindo-se de outros. 

A saber, concentração é também sinônimo de sustentação da atenção seletiva, com inibição de distratores. Exemplo: Um ambiente de trabalho com barulhos ou pessoas interrompendo. Você consegue fechar o foco, evitando interferência pelos distratores externos.

2) ATENÇÃO SUSTENTADA

Refere-se à capacidade de sustentar do esforço atencional, manter o foco numa atividade ou estímulo por um tempo mais longo. 

Exemplo: Você consegue manter o esforço da atenção, mesmo quando já está cansado ou a atividade deixou de ser intrinsecamente interessante.

3) ATENÇÃO ALTERNADA

Corresponde à capacidade de alternar o foco da atenção, a depender das necessidades do contexto. Igualmente, de retomar o foco da atenção após alguma interferência. 

Exemplo: Você está concentrado trabalhando e é interrompido por alguém. Após a conversa, retoma seu trabalho. É também conhecida como Flexibilidade Cognitiva e é prejudicada quando há tendência ao hiperfoco.

4) ATENÇÃO DIVIDIDA

Corresponde à capacidade de focar simultaneamente dois ou mais contextos. A divisão da atenção torna possível em determinadas condições fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. 

Exemplo: Quando você precisa cuidar de dois assuntos simultaneamente, como preparar-se para uma reunião enquanto monitora o andamento de outro projeto.

Todos os problemas com concentração / Distração são TDAH?

Todo caso de TDAH implica um certo grau de prejuízo da atenção. Contudo, o inverso não é sempre verdadeiro – nem todas as queixas de Distração ou pouca concentração são causados pelo TDAH / Déficit de atenção.

As capacidades de atenção e memória de curto prazo estão entre as funções cognitivas mais suscetíveis à influência prejudicial de fatores internos ou externos. Nesse sentido, torna-se ainda mais complexo buscar explicações para os problemas de atenção, em todas as suas formas. A saber: Distração (dificuldade em fechar o foco), em sustentar o esforço e flexibilidade cognitiva.

Sabe-se que dificuldades são encontradas não apenas no TDAH – Déficit de atenção. Mas também são características de vários problemas e transtornos diferentes. O mais importante é: se você sofre com estes problemas, saiba que existem vários caminhos possíveis para a superação.

O que mais pode causar desatenção?

Distração e incapacidade em sustentar o esforço podem, por exemplo, serem causados por problemas / transtornos de aprendizagem (linguagem, leitura, escrita, matemática, etc.). Sem dúvida, uma criança ou jovem pode sentir-se ansiosa, estressada ou deprimida quando solicitada a fazer tarefas difíceis. Por certo tenderá a buscar rotas de fuga.

Como resultado, ela poderá se desligar deste mundo com o qual não consegue lidar. Bem como em situações de forte pressão emocional, a fuga da realidade é uma forma eficaz e necessária de autoproteção. De acordo com alguns autores, o TDAH é visto como derivado primariamente de comportamentos de esquiva de situações aversivas.

Preocupação excessiva, baixa autoestima, ansiedade, perfeccionismo, medos em geral podem funcionar como atratores para a atenção e, portanto, prejudicar o controle voluntário e a inibição destes pensamentos negativos. Em menor grau, acontece a todas as pessoas. Porém, naqueles que já apresentam transtornos de ansiedade, depressão ou outros transtornos, ocorre com maior severidade. 

Outros aspectos cotidianos também devem ser levados em conta, como cansaço, stress crônico, descanso insuficiente, sono de má qualidade, abuso de álcool, drogas ou outras substancias. Neste caso, dizemos que o problema de atenção é secundário (há outro problema anterior que pode explicar o comprometimento da atenção).

O que fazer para melhorar a atenção e o foco?

Pessoas com queixas significativas com concentração, pouca sustentação do esforço, dificuldades com memória e esquecimentos frequentes devem procurar avaliação de um especialista, para diagnóstico diferencial e posterior encaminhamento ao tratamento adequado.

Nos casos de TDAH, há diversas modalidades de tratamento disponíveis, inclusive sem uso de medicamentos. Dentre as linhas de tratamento com impacto mais diretivo sobre o funcionamento do cérebro estão o Brain Entrainment – Estimulação Cerebral e o Brain Fitness – Ginástica Cerebral. Eu costumo indicar a todos os meus pacientes, independente de usarem ou não medicação, que façam exercícios de ginástica cerebral. 

Já pude acompanhar centenas de casos com resultados muito positivos, especialmente para memória e velocidade mental. Importantíssimo é ter um treinamento individualizado, acompanhado por um especialista que defina qual plano de treinamento – tipos de exercícios e graus progressivamente mais elevados de dificuldade, além do feedback personalizado. 


Fonte: IPDA - Cacilda Amorim

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