A existência da forma adulta do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) foi oficialmente reconhecida pela Associação Psiquiátrica Americana apenas em 1980. Desde então, inúmeros estudos liderados por pesquisadores como Russell A. Barkley e Stephen P. Hinshaw têm contribuído para a compreensão da presença do TDAH em adultos. Esses pesquisadores destacam a necessidade de superar estereótipos e equívocos relacionados a esse transtorno.
Embora haja uma crescente conscientização, observa-se que o diagnóstico de TDAH em adultos ainda é raramente realizado, em parte devido à persistência de estereótipos equivocados, como a crença de que se trata apenas de um transtorno em meninos hiperativos com baixo desempenho escolar. Muitos profissionais de saúde desconhecem a existência do TDAH em adultos, o que pode levar a tratamentos inadequados, frequentemente focados em outros problemas, como questões de personalidade.
De acordo com pesquisas, aproximadamente 60% das crianças com TDAH continuam a apresentar alguns dos sintomas na vida adulta, embora em menor intensidade do que na infância ou adolescência. O diagnóstico em adultos exige demonstrar a presença do transtorno desde a infância, o que pode ser desafiador em casos nos quais a memória do indivíduo é limitada, ou quando os pais são falecidos ou incapazes de relatar ao médico. Contudo, lembranças de apelidos, como "bicho carpinteiro", frequentemente ressurgem, revelando os sintomas de hiperatividade-impulsividade.
Adultos com TDAH frequentemente enfrentam dificuldades na organização e planejamento de suas atividades diárias. A pesquisa de Barkley, em particular, destaca a tendência desses indivíduos a se sentirem sobrecarregados, uma vez que têm dificuldade em determinar prioridades e em lidar com múltiplas responsabilidades. A sobrecarga é comum, pois os adultos com TDAH tendem a assumir vários compromissos diferentes. Problemas na faculdade, no trabalho e nos relacionamentos podem surgir devido à dificuldade em realizar tarefas sozinhos e à necessidade constante de lembretes externos.
Adicionalmente, a persistência nas tarefas pode ser um desafio para os portadores de TDAH, que muitas vezes deixam trabalhos pela metade, interrompem atividades e enfrentam dificuldades em concluir o que começaram. Esses aspectos são abordados por pesquisadores e especialistas no campo, como Thomas E. Brown, acrescentando uma compreensão mais holística dos desafios enfrentados por adultos com TDAH. Essa perspectiva ajuda a informar práticas de diagnóstico e tratamento mais precisas e eficazes.
Baseado no texto de ABDA, refeito e atualizado dez/2023.

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