Você já se percebeu com a mente agitada, como se estivesse num turbilhão de pensamentos constantes? É como se estivesse em um trem que passa por um milhão de estações, revivendo o passado, antecipando o futuro ou preocupando-se com tudo o que poderia dar errado. Para aqueles que lidam com ansiedade ou trauma, é como se nos encontrássemos correndo atrás desse trem, em vez de permanecermos firmes na estação, conscientes do momento presente. Nesses momentos, dormir se torna difícil, manter o foco parece inatingível e a interação com outras pessoas se torna desafiadora. A técnica a seguir foi desenvolvida para ajudá-lo a acalmar-se e a realinhar seu corpo e mente com o momento presente. Ela pode ser usada sempre que perceber que sua mente está vagando ou quando estiver prestes a entrar em um estado de ansiedade ou pânico. Este exercício é um trecho do Kit de Ferramentas de 2018 da Mental Health América. Aqui está uma versão bem simples da atividade proposta: Desembarque do Trem Antes de co...
No cenário contemporâneo, as redes sociais se transformaram em plataformas ubíquas para o compartilhamento de informações, inclusive as relacionadas à saúde. O TikTok, em especial, desponta como o aplicativo mais baixado desde 2020, particularmente entre os adolescentes e adultos jovens. O uso do hashtag #adhd (sigla em ingles para TDAH) revela-se como o sétimo termo de saúde mais pesquisado nessa plataforma, apontando para uma crescente preocupação com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Embora as mídias sociais tenham o potencial de combater o estigma associado às questões de saúde mental e física, emerge uma inquietação válida. A propagação de informações incorretas, muitas vezes ligada à "cibercondria" - a tendência de desenvolver uma preocupação exacerbada com condições de saúde após exposição online - levanta bandeiras vermelhas, especialmente quando se trata do TDAH.
O TDAH, ao contrário de diagnósticos binários como hepatite ou câncer, é uma condição que existe em um espectro, assim como diabetes ou hipertensão arterial. Qualquer espectador de um vídeo sobre TDAH, ao explorar nuances comportamentais cotidianas, pode se identificar em algum grau, adicionando complexidade ao entendimento e à autopercepção.
A razão para a crescente preocupação reside no vasto volume de informações presentes nas mídias sociais, onde a moderação por profissionais de saúde é virtualmente inexistente. Ao contrário do rigoroso processo científico de revisão por pares, as plataformas como TikTok e Instagram, frequentemente orientadas para a monetização, permitem que qualquer indivíduo, independentemente de sua expertise técnica, publique conteúdo sobre saúde.
Essa falta de controle é um terreno fértil para a disseminação de informações imprecisas, um fenômeno observado em várias áreas da saúde. Durante a pandemia de COVID-19, por exemplo, influenciadores antivacina lucraram consideravelmente, destacando a influência dessas plataformas na formação de opinião e comportamento.
Um estudo recente, publicado no Jornal Canadense de Psiquiatria, analisou os 100 vídeos mais populares sobre TDAH no TikTok. Os vídeos foram categorizados em três grupos: úteis, experiências pessoais e conteúdo incorreto. Surpreendentemente, 52% dos vídeos foram classificados como contendo informações incorretas, destacando a urgência de uma abordagem mais crítica ao consumo desses conteúdos.
A clareza na linguagem utilizada nos vídeos, mesmo quando o conteúdo é equivocado, é uma tendência preocupante, pois pode conferir uma falsa sensação de validade às informações apresentadas. Isso se alinha com análises de outras áreas médicas, como acne, diabetes e litíase biliar, onde a acessibilidade da linguagem muitas vezes não se traduz em precisão.
Os algoritmos das plataformas sociais, ao sugerirem vídeos semelhantes, podem amplificar a disseminação de informações incorretas. A "romantização" do TDAH e a tendência de atribuir o diagnóstico a comportamentos que têm raízes em causas diversas também aumentam a complexidade do cenário.
Citando o filósofo Thomas Kuhn, a exposição a diferentes perspectivas é essencial para o aprendizado do reconhecimento adequado. No entanto, é vital lembrar que nem toda inquietação, procrastinação ou desorganização é indicativa de TDAH. Em vez de se autodiagnosticar ou mergulhar em cursos online, a recomendação atemporal permanece: consulte um especialista para uma avaliação precisa e informada.
Baseado no texto de Paulo Mattos, MD, PhD, fundador da Associação Brasileira do Déficit de Atenção.
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